quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Virar anônima lhe permitirá amar, disse o sábio.O casamento por amor só é possivel no anonimato e vazio do capitalismo.E o casamento por amor tras coisas muito interessantes... por exemplo, o divórcio. Entrou na multidão de gente que corria para lugar nenhum...saindo da vila o plano era correr, sair do vilarejo-família-tradição-Maria-sapato-José-ferreiro-casamento- arranjado-do-tempo-de-sua-tataratataravó. Correr para ter pressa de chegar. Correr pra parecer muito ocupado, sempre muito ocupado. Correr para correr mais e mais e mais. Chega. Corre. Correr pra ganhar algum dinheiro. Para comprar sapatos novos e correr. Para comprar um carro e ir a 200 quilometros por hora. E correr... para morrer de acidente e ser enterrado, um enterro importante. Foram muitos quilometros. Momento em que todos paravam suas pressas. Olhavam para o corpo e se lamentavam do tempo em que nao estavam juntos, parados e se tendo.Mas dentre tantos rostos com pressa que não tinham nome, só tinha pressa... logo o apego se dissolvia. Agora não é mais liberdade e felicidade. É velocidade. Vrummmmm. Ronco do motor. Velocidade e descarte.O anonimato finalmente entrou pelo seu sangue e se estampou na testa:Anonima.-Identidade. Entregou o rg.-Bem, senhora anonima, me siga.Era a guarda do amor que o sábio lhe havia prometido. Um senhor de farda azul, bigode branco e olhos... não olhou nos olhos.Eram todos extremamente iguais naquela cidade-prisão. Mas não parecia. E esses cabelo de tantos cortes? E esses sorrisos dos mais distintos cremes dentais? E essas roupas? São tantos grupos... tantas tribos...Iguais? Como? Impossivel. Olhe mais de perto. Lhe concederam a garganta.Ouvidos cresceram das paredes,brotoram do chão e vinheram voando também.GRITOU: CONSUMISMO!!!!!! Salve o consumismo!! Amor agora se vende no supermercado!Aplausos.Todos olharam. Recolheram os aplausos. Um a um, camera lenta e voltando a fita. Cada aplauso foi guardado num bolso do paletó.O amor está morto! Não vê? O amor está morto! Os outros nem ouviram. Mas aplaudiram.Salve-se se puder.O poder... chegou a vez do poder. Já que o amor está morto... Pode-se tudo!! O poder é a coisa mais maravilhosa que se pode ter. Mas vem com a escolha. E a escolha é solitária. Só se é rainha na solidão da escolha.Mataram o amor, coitado. Não precisamos escolher mais nada. Cada escolha é uma renuncia de amor. E sem escolha não tem poder. E sem poder não tem rainha. Não tem mais nada e por tras disso tudo um grande nada cheio de cifrões. Tiro na cabeça. Caiu morto no chão. Apaixonada a anonima enterrou o corpo de acidente. Moribundo no mundo dos anonimos, virou mais um,mais ainda.E nesse momento achou um nome...chamou de cólera, matou a todos em um sopro. Em nome do pai e da patria? Nunca em nome do filho ou dos outros humanos? Sem apego na liquidez do dinheiro e das relaçoes humanas.Ressusitaram depois. Em corpo. Sem alma. Sem pressa. Sem nada. Ainda assim...Em algum lugar nascia o amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário